As
prateleiras estavam lotadas. Escolhia um filme. Ao meu lado, a jovem mãe e seu
filho faziam o mesmo. Era feriado prolongado e entre ficar em casa tendo que responder
a milhares de perguntas infantis e se entreter com a tela, ela preferiu a segunda
opção.
- Mãe,
quero levar esse.
- Não!
Esse é muito complicado, você não vai entender.
- Vou
sim! Por que é complicado? É só uma história...
- Não,
escolhe outro. Quando for mais velho e entender, você leva esse.
Se o
moleque abrisse o berreiro, poderia chamar a atenção de todos, e a mãe ficaria sem
graça de dar novo “não”. A atendente também parecia curiosa em saber o desfecho
do embate.
- Você
leva esse da próxima vez. Mas hoje não, tá? A mamãe tá com pressa...
O
menino estava com a cara triste, como se quisesse andar e estivesse preso ao chão.
Viu que não adiantaria insistir e acabou “escolhendo” a mesma historinha de
sempre. Peguei os meus e fui almoçar. Entrei no restaurante da esquina e quem encontro?
A prodigiosa mãe e o filho. Fiz questão de sentar bem perto, para ouvir sobre o
que conversavam. Até na refeição a mãe metia o dedo.
- Essa
comida é muito pesada, vai fazer mal. Escolhe outra.
Fiquei
com pena do menino. Esse negócio de “escolhe outra” se igualava a “escolhe o
que eu escolher”. Imaginei como seria ele adulto. Lembraria daquele dia com
raiva! Odiaria talvez a mãe pelas podadas eternas e definitivamente não teria sua
escolha devolvida. Continuaria preso à prateleira, para sempre na categoria
diversos.
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