domingo, 26 de fevereiro de 2012

A hora e a vez dos certinhos


O mundo está mesmo careta. Dia desses, em uma entrevista com o quadrinista Mauricio de Sousa, criador dos gibis mais populares do Brasil, o repórter perguntou se ele conseguiria criar algum daqueles personagens neste mundo dos politicamente corretos. Claro que a resposta foi negativa. Imagine a Mônica. Heroína gordinha, dentuça e brava, que ao ser irritada bate nos amigos com seu coelho de pelúcia azul. Seria a imagem de uma menina violenta que sofre bullying e precisa de terapia? Pense no programa Os Trapalhões sendo exibido hoje. Quatro homens, um deles sempre com a garrafa de pinga na mão, tentando se dar bem na vida. Um incentivo ao uso de bebida alcoólica, à malandragem e por aí vai.
A caretice extrapolou os limites. Ser politicamente correto virou moda. Em um supermercado da cidade, a promoção era trocar R$ 15 em compras por uma sacola de pano para fazer bem ao planeta. Sacola fashion e ecológica, não fosse o fato de vir embalada onde? Em um saco plástico. Agora, há lei para tudo, um festival de nãos. Não se pode fumar em locais fechados em alguns estados. Fumar faz mal à saúde, mas hoje o fumante é tratado quase pior do que um criminoso. Não se pode dirigir e falar ao telefone. Será que alguém se lembra daqueles carros que já vinham com telefone e eram a maior sensação? Os índices de acidente no trânsito eram menores do que os atuais, tenha certeza. Ainda na arte, o exemplo mais recente foi a morte da talentosa Amy Winehouse. Coisa mais clichê e fora de moda morrer aos 27 anos, graças a uma vida regada a drogas e no fim, a vaias nos shows.
É, o mundo não é mais o mesmo. Andar na linha é que é radical.

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